Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

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Canção da primavera – Mario Quintana

kpm0166

CANÇÃO DA PRIMAVERA
Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

(Mario Quintana; Canções, 1946)

Ilustração: Placa de porcelana KPM



Outono

John William Godward - AutumnGeorge_Henry_Boughton-Autumn

JOHN WILLIAM GODWARD                                                                              GEORGE HENRY BOUGHTON


cesare-saccaggi-italian-painter-autumnAutumn by Emile Eisman Semenowsky

CESARE SACCAGGI                                                                        ÉMILE EISMAN SEMENOWSKY


O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!
Mario Quintana



flowering roses_Peter Tom-Petersen

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Mário Quintana

Pintura: Peter Tom-Petersen (pintor dinamarquês, 1861-1926)


5.peter-ellenshaw

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Mário Quintana

Pintura: Peter Ellenshaw (Reino Unido, 1913-2007)


É outono!…

Autumn in Gloucester - 1931 - Mathias J. Alten (american painter)

MATHIAS J. ALDEN


Jose_malhoa_outonoAutumn Day Sokolniki -1879 - Isaac Levitan (russian painter)

JOSE MALHOA                                                                             ISAAC LEVITAN


autumn-thomas-benjamin-kennington-Autumn Magic - 1912 - Edward Cucuel (american painter)

THOMAS BENJAMIN KENNINGTON                                                            EDWARD CUCUEL


Autumn by Emile Eisman Semenowsky

EMILE EISMAN SEMENOWSKY


autumn glory

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!
Mario Quintana


Bem-vinda, Primavera!

card-111

CANÇÃO DA PRIMAVERA

Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

Mario Quintana

Spring -1904 - Maximilian Lenz (german painter)

MAXIMILIAN LENZ


HenriHouben_spring

HENRI HOUBEN


William John Hennessy - A Spring Fantasy 1880Leighton-Lilac-1901

WILLIAM JOHN HENNESSY                                                                                EDMUND BLAIR-LEIGHTON


genthe-spring--Anthony-Frederick-A-SandsSpring_Blossoms-henry-thomas-schaffer(french-1873-1915)

ANTHONY FREDERICK SANDS                                                                                  HENRY THOMAS SCHAFFER


Lawrence_Alma-Tadema_Flora_-_Spring_in_the_Gardens_of_the_Villa_BorgheseSpring-John-Collier

LAWRENCE ALMA-TADEMA                                                                                               JOHN COLLIER



song without words - John Melhuish Strudwick

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…
Mário Quintana

Pintura: John Melhuish Strudwick


Temas da Pintura: Mães e filhos – Galeria 14

MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena – confessam mesmo os ateus-
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

Mario Quintana

Jourdan_Adolphe_Maternal_Affection

ADOLPHE JOURDAN


James John Hill (1811-1882)- Mother and Child on a Hillside Overlooking the SeaThe Harvesters - Carl Adolf Gugel

JAMES JOHN HILL                                                                CARL ADOLF GUGEL


Woman with child in a flowering garden - Johan KrouthénPaul Alexandre Alfred Leroy (1860-1942) - Maternity

JOHAN KROUTHÉN                                                             PAUL ALEXANDRE ALFRED LEROY


Hans _Thoma-under-the-lilacEmanuel Gottlieb Leutze_the amber necklace

HANS THOMA                                                                          EMANUEL GOTTLIEB LEUTZE


PaulPeel_mother_lovethe-new-arrival _ Jules Trayer (1824-1909)

PAUL PEEL                                                                                          JULES TRAYER



RORBYEMartinus_ViewfromtheArtistsWindow

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!… E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas cotidianas…
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…
Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!
Mario Quintana

Pintura: Martinus Rorbye (Dinamarca, 1803-1848)


A verdadeira arte de viajar…

the customs by Antonio Mancini - 1877Evert Jan Boks (dutch-belgian 1838-1914) Going into the world

ANTONIO MANCINI                                                                                              EVERT JAN BOKS


A Verdadeira Arte de Viajar

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mario Quintana



BRASIL DE LUTO…

IvanKramskoy - Christ in the desert

E quando um acidentado acorda, perplexo, no outro mundo,
e indaga dos anjos que horas são,
muito mais perplexos ficam os anjos…

Mario Quintana

(Alegrete, RS-1906- Porto Alegre, RS -1994)

Pintura de Ivan Kramskoy


Uma certa melancolia… – 4

PhilipPerold

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana

Foto: Philip Perold 


Distant Thoughts (1886) by Thomas Francis Dicksee (1819-1895)

THOMAS FRANCIS DICKSEE


Alfred Fowler Patten (British, 1826 - c.1888)-The child and the star-1882OrestKiprensky2

ALFRED FOWLER PATTEN                                                                                     OREST KIPRENSKY


09.alfred stevens_melancolie

ALFRED STEVENS


Mignon-1869Lenoir,_Charles-Amable_-_Pensive

WILLIAM-ADOLPHE BOUGUEREAU                                                                            CHARLES-AMABLE LENOIR


A Quiet Moment_DelphinEnjolrasamarilla-frederic-leighton

DELPHIN ENJOLRAS                                                                                          LORD FREDERICK LEIGHTON



…O luar…

JorgeGarcia1

…O luar é a luz do sol que está dormindo…

Mario Quintana


Canção do dia de sempre…

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Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

Mario Quintana


O anjo da escada…

Chasseriau_Theodore_The_Angel_1840

O anjo da escada
Na volta da escada,
Na volta escura da escada.
O Anjo disse o meu nome.
E o meu nome varou de lado a lado o meu peito.
E vinha um rumor distante de vozes clamando clamando…
Deixa-me!
Que tenho a ver com as tuas naus perdidas?
Deixa-me sozinho com os meus pássaros…
com os meus caminhos…
com as minhas nuvens…

Mario Quintana


Se eu fosse um padre…

sergey-braga-

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
– muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte –
um belo poema sempre leva a Deus!

Mario Quintana


Presença…

flower018

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana


Escrevo diante da janela aberta…

Alice_Dalton_Brown_Summer_Breeze
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!… E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas cotidianas…
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…
Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!

(Mário Quintana)


Casais: imagem do dia

Brack_Emil_planning_the_grand_tour

PINTURA: EMIL BRACK


A verdadeira arte de viajar

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mario Quintana



A menina dança…

theaudition-TomSierak

A menina dança sozinha
por um momento
A menina dança sozinha
com o vento, com o ar, com
o sonho de olhos imensos…
A forma grácil de suas pernas
ele é que as plasma, o seu par
de ar,
de vento,
o seu par fantasma…
Menina de olhos imensos,
tu, agora, paras,
mas a mão ainda erguida
segura ainda no ar
o hástil invisível
deste poema!

Mario Quintana

Pintura: Tom Sierak


Verso avulso…

PauloSantos1

…O luar é a luz do sol que está dormindo…

Mario Quintana


Canção do dia de sempre…

EricMontoya_Perennial21

 

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

Mario Quintana

Pintura: Eric Montoya