Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

ESCRITORES

No banco de jardim

Among the Roses Pierre Auguste Renoir - 1882

NO BANCO DE JARDIM

No Banco de jardim
o tempo se desfaz
e resta entre ruídos
a corola de paz.
No banco do jardim.
a sombra se adelgaça
e entre besouro e concha
de segredo, o anjo passa.
No banco de jardim,
o cosmo se resume
em serena parábola,
impressentido lume.

Carlos Drummond de Andrade (Brasil, 1902-1987)

Pintura: Pierre Auguste Renoir (França, 1841-1919)



Primavera – Olavo Bilac

Spring by Ignacio Pinazo Camarlench (spanish painter)

PRIMAVERA
Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaço….
A alma da terra gorjeava e ria…
Nascia a primavera…E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!
Olavo Bilac

Ilustração: Ignacio Pinazo (Espanha, 1849-1916)



Canção da primavera – Mario Quintana

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CANÇÃO DA PRIMAVERA
Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.

Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.

Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!

(Mario Quintana; Canções, 1946)

Ilustração: Placa de porcelana KPM



Inédito – J.G. de Araujo Jorge

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INÉDITO
Relendo o último verso que compus
pouso entre as mãos maquinalmente o rosto,
e o olhar deixo vagar para o sol posto
onde o céu é um borrão de sombra e luz…
Um sossego interior, em mim, produz,
esta tarde fugindo ao mês de agosto…
– nas vitrines do espaço, onde era exposto
o sol, surge uma estrela que transluz…
Alguém põe-se às centenas a acendê-las,
e cada uma que a luz tinha escondido
brilha, e ao brilhar, enche-se o céu de estrelas…
E fitando-as, dispersas, no infinito,
sei, que apesar de nunca ter lido,
nos céus há um poema há muito tempo escrito…

J.G. de Araujo Jorge

Pintura: Gabriel Ferrier (França, 1847-1914)



CANÇÃO EXCÊNTRICA – Cecília Meireles

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CANÇÃO EXCÊNTRICA

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
– saudosa do que não faço,
– do que faço, arrependida.

Cecília Meireles

Pintura: Puvis de Chavannes (França, 1824-1898)



Sermão da planície

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Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranqüilidade.
Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.
Bem-aventurados os que não têm a paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto.
Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio.
Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam de vaias, projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da glória precária de um dia.
Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.
Bem-aventurados os fotógrafos que trocaram a documentação do esporte pela dos desfiles de modas, pois não precisam gastar tempo infindável para fotografar o relâmpago de um gol.
Bem-aventurados os fabricantes de bolas e chuteiras, que não recebem as primeiras na cara e as segundas na virilha, como os atletas e assistentes ocasionais de peladas.
Bem-aventurados os que não conseguiram comprar televisão a cores a tempo de acompanhar a Copa do Mundo, pois, assistindo pelo aparelho do vizinho, sofrem sem pagar 20 prestações pelo sofrimento.
Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas da vitória, que fabricam outros surdos, nem o matraquear dos locutores, carentes de exorcismo.
Bem-aventurados os que não moram em ruas de torcida institucionalizada, ou em suas imediações, pois só recolhem 50% do barulho preparatório ou comemoratório.
Bem-aventurados os cegos, pois lhes é poupado torturar-se com o espetáculo direto ou televisionado da marcação cerrada, que paralisa os campeões, ou do lance imprevisível, que lhes destrói a invencibilidade.
Bem-aventurados os que nasceram, viveram e se foram antes de 1863, quando se codificaram as leis do futebol, pois escaparam dos tormentos da torcida, inclusive dos ataques cardíacos infligidos tanto pela derrota como pela vitória do time bem-amado.
Bem-aventurados os que, entre a bola e o botão, se contentaram com este, principalmente em camisa, pois se consolam mais facilmente de perder o botão da roupa do que o bicho da vitória.
Bem-aventurados os que não confundem a derrota do time da Lapônia pelo time da Terra do Fogo com a vitória nacional da Terra do Fogo sobre a Lapônia, pois a estes não visita o sentimento de guerra.
Bem-aventurados os que, depois de escutar este sermão, aplicarem todo o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração.
(Carlos Drumond de Andrade)



Noutros lugares…

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NOUTROS LUGARES
Não é que ser possível ser feliz acabe,
quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
Ou que não mais saibamos repetir o gesto
que mais prazer nos dá, ou que daria
a outrem um prazer irresistível. Não:
o tempo nos afina e nos apura:
faríamos o gesto com infinda ciência.

Não é que passem as pessoas, quando
o nosso pouco é feito da passagem delas.
Nem é também que ao jovem seja dado
o que a mais velhos se recusa. Não.
É que os lugares acabam. Ou ainda antes
de serem destruídos, as pessoas somem,
e não mais voltam onde parecia
que elas ou outras voltariam sempre
por toda a eternidade. Mas não voltam,
desviadas por razões ou por razão nenhuma.
É que as maneiras, modos, circunstâncias
mudam. Desertas ficam praias que brilhavam
não de água ou sol mas solta juventude.

As ruas rasgam casas onde leitos
já frios e lavados não rangiam mais.
E portas encostadas só se abrem sobre
a treva que nenhuma sombra aquece.
 
O modo como tínhamos ou víamos,
em que com tempo o gesto sempre o mesmo
faríamos com ciência refinada e sábia
(o mesmo gesto que seria útil,
se o modo e a circunstância persistissem),
tornou-se sem sentido e sem lugar.
Os outros passam, tocam-se, separam-se,
exatamente como dantes. Mas
aonde e como? Aonde e como? Quando?
Em que praias, que ruas, casas, e quais leitos,
a que horas do dia ou da noite, não sei.
Apenas sei que as circunstâncias mudam
e que os lugares acabam. E que a gente
não volta ou não repete, e sem razão, o que
só por acaso era a razão dos outros.
 
Se do que vi ou tive uma saudade sinto,
feita de raiva e do vazio gélido,
não é saudade, não. Mas muito apenas
o horror de não saber como se sabe agora
o mesmo que aprendi. E a solidão
de tudo ser igual doutra maneira.
E o medo de que a vida seja isto:
um hábito quebrado que se não reata,
senão noutros lugares que não conheço.

(Jorge de Sena)

Foto: Praia de Itaguaçu – Florianópolis, SC, Brasil

por Pedro Mendonça



O tempo existe…

Edward Cucuel (american, 1875-1951)-woman with a parasol_768x945

O TEMPO EXISTE
Existe um tempo que sequer sentimos,
existe um tempo que sequer pensou-se,
Existe um tempo que o tempo não trouxe,
existe um tempo que sequer medimos.
Existe mais: um tempo em que sorrimos,
diferente do tempo em que chorou-se,
e um tempo neutro: nem amaro ou doce.
Tempos alheios, nem sequer são primos!
Existe um tempo pior do que ruim
e um tempo amado e um tempo de canção,
existe um tempo de pensar que é o fim.
Tempo é o que bate em nosso coração:
um tempo acumulado em tempo-sim,
e um tempo esvaziado em tempo-não.
Francisco Miguel de Moura
de Sonetos Escolhidos

Pintura: Edward Cucuel (pintor americano, 1875-1951)


Embalo da Canção

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EMBALO DA CANÇÃO
Que a voz adormeça
que cante a canção!
Nem o céu floresça
nem floresça o chão.
(Só – minha cabeça,
só – meu coração.
Solidão)
Que não alvoreça
nova ocasião!
Que o tempo se esqueça
de recordação!
(Nem minha cabeça,
nem meu coração.
Solidão!)
Cecília Meireles,
in Vaga Música

Pintura: Vlaho Bukovac (Cavtat, Croácia, 4 de julho de 1855 – Praga, República Checa, 23 de abril de 1922)


Embalo da Canção

Karl Kaufmann (1843 - 1902_5) - A Pensive Beauty

 

EMBALO DA CANÇÃO

Que a voz adormeça
que cante a canção!
Nem o céu floresça
nem floresça o chão.
(Só – minha cabeça,
só – meu coração.
Solidão)
Que não alvoreça
nova ocasião!
Que o tempo se esqueça
de recordação!
(Nem minha cabeça,
nem meu coração.
Solidão!)

Cecília Meireles,
in Vaga Música

Pintura: Karl Kaufmann

(Neuplachowitz, Áustria, 1843 – Viena, Áustria, 27 de abril de 1905)

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É primavera!

James Tissot (French, 1836-1902)_crysanthemus, 1874

Eu sou a Primavera!
Está limpa a atmosfera,
E o sol brilha sem véu!
Todos os passarinhos
Já saem dos seus ninhos,
Voando pelo céu.
Há risos na cascata,
Nos lagos e na mata,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flor das estações!

Poema infantil de Olavo Bilac

Pintura: James Tissot (pintor francês, 1836-1902)


Estátua

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Jardim da tarde divina,
por onde íamos passeando
saudade e melancolia.
Toda a gente me falava.
E nasceu minha alegria
do que não me disse nada.
O azul acabava-se, e era
céu, toda a sua cabeça,
poderosamente bela.
Nos seus olhos sem pupilas
meus próprios versos estavam
como memórias escritas.
E na curva de seu lábio,
o ar, em música transido,
perguntava por seu hálito.
Ah, como a tarde divina
foi velando suas flores,
água, areia, relva fria …
Nítida, redonda lua
prolongou seu corpo imóvel
numa perfeição mais pura.
Fez parecer que sorria
seu rosto para meu rosto:
divindade quase em vida.
Minha cegueira, em seus olhos
minha voz entre seus lábios,
e minha dor em seus modos.
Minha forma no seu plinto,
livre de assuntos humanos.
De longe. Sorrindo.
Cecília Meireles
in Mar Absoluto


Para além da curva da estrada

Village life on a nice summer day, Onsbjerg, Samso_Peder Mork Monsted

Para além da curva da estrada
talvez haja um poço, e talvez um castelo,
e talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva,
porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
e para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro, em "Poemas Inconjuntos"
Heterônimo de Fernando Pessoa

Pintura: Peder Mork Monsted
(Pintor dinamarquês, 1859-1941)


Não entendo…

Portrait of a Young Woman - Jean Hippolyte Flandrin-1860

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector  (A descoberta do mundo – Crônicas)

Pintura: Jean Hippolyte Flandrin (França, 1809-1864)


Ternura…

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"A vida sem ternura não vale nada…"
José Mauro de Vasconcelos (RJ, 1920 – SP,1984)

Pintura: William-Adolphe Bouguereau (França, 1825-1905)


Felicidade…

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"Felicidade se acha em horinhas de descuido."

Guimarães Rosa

Pintura: Leopold Franz Kowalski (França, 1856-1931)


Natal dos poetas brasileiros

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O Natal, as cenas de presépio, inspiraram muitos poetas. Recordo-me de poetas brasileiros que cantaram o Natal com ternura, imensa nostalgia, infinita melancolia e alegria simples. Alguns, de modo genuinamanete brasileiro.
Quem não se emociona, mesmo em tempo tão materialista como o de hoje, ao ouvir um coral cantando a brasileiríssima canção de Assis Valente ?

"Anoiteceu
O sino gemeu
A gente se pôs
feliz a cantar.
Papai Noel vê se você tem
a felicidade pra você me dar.
Já faz tempo que pedi
mas o meu Papai Noel não vem.
Com certeza já esqueceu
ou então felicidade
é brinquedo que não tem".

Vinícius de Morais, com sua sensiblidade, em seu "Poema de Natal", nota:

Não há muito que dizer;
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os vossos corações
Se deixem, graves e simples."

E Manuel Bandeira, o maior poeta de sua geração, cuja poesia dá felicidade à gente, faz a gente gostar de viver, soube cantar, como nenhum outro, o Natal, com ternura e inocência. Leiam:

Penso no Natal. No seu Natal. Para a Bondade
A minhalma se volta. Uma grande saudade
Cresce em todo o meu ser magoado pela ausência.

Ó minha amiga, aceita a carícia filial
Da minhalma a teus pés humilhada de rastos,
Seca o pranto feliz sobre os meus olhos castos…
Ampara minha fronte, e que a minha ternura
Se torne insexual, mais que humana – pura
Como aquela fervente e benfazeja luz
Que Madalena viu nos olhos de Jesus…"

Se a cena do nascimento de Jesus comove e nos diz que a alegria se faz com pouca coisa, o Natal desses brasileiros também nos emociona e mostra nosso destino, paz e simplicidade.

(Plinio Mendonça)

Pintura: Bartolomé Esteban Murillo (Espanha, 1617-1682)


É fácil trocar as palavras…

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É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.

Fernando Pessoa
Pintura: Romeu e Julieta – Hugues Merle (França, 1823-1881)


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“Um fim de mar colore os horizontes”.

MANOEL WENCESLAU LEITE DE BARROS
(Cuiabá, MT, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, MS, 13 de novembro de 2014)

Pintura: Duffy Sheridan (EUA, 1947)


Eternidade

George Arthur Gaskell (1871-1900) - Rising Spring

“O que a memória ama fica eterno”.


Rubem Alves (Boa Esperança, MG, 15 de setembro de 1933 — Campinas, SP, 19 de julho de 2014)

Pintura: George Arthur Gaskel (Inglaterra, 1871-1900)


Espiritualismo

WILLIAM HENRY MARGETSON (english, 1861-1940) ON THE SANDS 

Espiritualismo 
 
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.

Antero de Quental (Portugal, 1842-1891)

Pintura: William Henry Margetson (Inglaterra, 1861-1940)


Duo: A letra escarlate

George Henry Boughton (1833-1905)- The Scarleet LetterHugues Merle (French, 1823-1881). 'The Scarlet Letter,' 1861. oil on canvas. Walters Art Museum (37.172): Commissioned by William T. Walters, 1859.

GEORGE HENRY BOUGHTON                                                                                          HUGUES MERLE


The Scarlett Letter (A Letra Escarlate) – Escrito em 1850 por Nathaniel Hawthorne (Salem, EUA, 4 de julho de 1804 – Plymouth, EUA, 19 de maio de 1864)

 Na rígida comunidade puritana de Boston do século XVII, a jovem Hester Prynne tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima. Desonrada e renegada publicamente, ela é obrigada a levar sempre a letra “A” de adúltera bordada em seu peito. Hester, primeira autêntica heroína da literatura norte-americana, se vale de sua força interior e de sua convicção de espírito para criar a filha sozinha, lidar com a volta do marido e proteger o segredo acerca da identidade de seu amante. Aclamado desde seu lançamento como um clássico, A letra escarlate é um retrato dramático e comovente da submissão e da resistência às normas sociais, da paixão e da fragilidade humanas, e uma das obras-primas da literatura mundial.

LEIA MAIS: Resenha de Carlos Graieb publicada na edição de VEJA de 31 de agosto de 2011



Literatura e Arte: Dante e Beatriz

DANTE ALIGHIERI
(Florença, Itália, 1 de junho de 1265 – Ravena, Itália, 13 ou 14 de setembro de 1321)
Escritor, poeta e político, considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana.
Autor de A Divina Comédia.

BEATRIZ PORTINARI (1266 – 8 de junho de 1290)

Dante Alighieri nasceu em Florença, no seio de uma família profundamente envolvida nos conflitos políticos e religiosos do período. A Itália dos séculos 13 e 14 era um tumultuado campo de batalha entre cidades poderosas e independentes. Patriotismo e lealdade eram sentimentos dirigidos não ao país, mas à cidade natal de cada um, e Dante amou sua Florença com um amor violento, possessivo e inflexível.
Aos 9 anos, contudo, Dante conheceu um tipo bem diferente de amor. Certa vez, passeando pela cidade, deparou com a figura angelical de Beatriz Portinari, filha de um rico burguês. Dante apaixonou-se de imediato – e para sempre. Começava ali o mais célebre caso de amor platônico na história. Dante jamais cortejou Beatriz, que já estava prometida a outro homem. Beatriz morreu aos 24 anos, vítima de uma doença súbita e indeterminada, e Dante passou as décadas seguintes dedicando seus sonhos e seus versos àquela semidesconhecida, com a qual não chegou a trocar, ao longo da vida, mais que um par de palavras.

LEIA MAIS 


 

Dante e Beatrice_Salvatore Postiglione (Italian, 1861-1906)

SALVATORE POSTIGLIONE


Raffaele_Giannetti_-_First_meeting_of_Dante_and_Beatrice

RAFFAELLE GIANNETTI


dante-and-beatriz--marie-spartali-stillmanAry_Scheffer_-_Dante_and_Beatrice_(1851,_Boston_museum)

MARIE SPARTALLI STILLMAN                                                                         ARY SCHEFFER


Dante_Gabriel_Rossetti_-_Salutation_of_Beatrice_-_1

DANTE GABRIEL ROSSETTI


dante-y-beatriz-henry-holiday

HENRY HOLIDAY


800px-Cristobal_Rojas_Dante y Beatriz a orillas del Leteo

CRISTOBAL ROJAS


Kate Elizabeth Bunce (1858-1927) The chance meeting

KATE ELIZABETH BUNCE



*

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"Gosto das cores,
das flores, das estrelas,
do verde das árvores,
gosto de observar.
A beleza da vida se
esconde por ali, e por mais
uma infinidade de lugares,
basta saber, e principalmente,
basta querer enxergar."

Clarice Lispector