Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

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CANÇÃO EXCÊNTRICA – Cecília Meireles

Puvis-de-Chavannes-Pierre-Meditation

CANÇÃO EXCÊNTRICA

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
– saudosa do que não faço,
– do que faço, arrependida.

Cecília Meireles

Pintura: Puvis de Chavannes (França, 1824-1898)



Noutros lugares…

20180225_133203-PANO

NOUTROS LUGARES
Não é que ser possível ser feliz acabe,
quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
Ou que não mais saibamos repetir o gesto
que mais prazer nos dá, ou que daria
a outrem um prazer irresistível. Não:
o tempo nos afina e nos apura:
faríamos o gesto com infinda ciência.

Não é que passem as pessoas, quando
o nosso pouco é feito da passagem delas.
Nem é também que ao jovem seja dado
o que a mais velhos se recusa. Não.
É que os lugares acabam. Ou ainda antes
de serem destruídos, as pessoas somem,
e não mais voltam onde parecia
que elas ou outras voltariam sempre
por toda a eternidade. Mas não voltam,
desviadas por razões ou por razão nenhuma.
É que as maneiras, modos, circunstâncias
mudam. Desertas ficam praias que brilhavam
não de água ou sol mas solta juventude.

As ruas rasgam casas onde leitos
já frios e lavados não rangiam mais.
E portas encostadas só se abrem sobre
a treva que nenhuma sombra aquece.
 
O modo como tínhamos ou víamos,
em que com tempo o gesto sempre o mesmo
faríamos com ciência refinada e sábia
(o mesmo gesto que seria útil,
se o modo e a circunstância persistissem),
tornou-se sem sentido e sem lugar.
Os outros passam, tocam-se, separam-se,
exatamente como dantes. Mas
aonde e como? Aonde e como? Quando?
Em que praias, que ruas, casas, e quais leitos,
a que horas do dia ou da noite, não sei.
Apenas sei que as circunstâncias mudam
e que os lugares acabam. E que a gente
não volta ou não repete, e sem razão, o que
só por acaso era a razão dos outros.
 
Se do que vi ou tive uma saudade sinto,
feita de raiva e do vazio gélido,
não é saudade, não. Mas muito apenas
o horror de não saber como se sabe agora
o mesmo que aprendi. E a solidão
de tudo ser igual doutra maneira.
E o medo de que a vida seja isto:
um hábito quebrado que se não reata,
senão noutros lugares que não conheço.

(Jorge de Sena)

Foto: Praia de Itaguaçu – Florianópolis, SC, Brasil

por Pedro Mendonça



Estátua

garden1

Jardim da tarde divina,
por onde íamos passeando
saudade e melancolia.
Toda a gente me falava.
E nasceu minha alegria
do que não me disse nada.
O azul acabava-se, e era
céu, toda a sua cabeça,
poderosamente bela.
Nos seus olhos sem pupilas
meus próprios versos estavam
como memórias escritas.
E na curva de seu lábio,
o ar, em música transido,
perguntava por seu hálito.
Ah, como a tarde divina
foi velando suas flores,
água, areia, relva fria …
Nítida, redonda lua
prolongou seu corpo imóvel
numa perfeição mais pura.
Fez parecer que sorria
seu rosto para meu rosto:
divindade quase em vida.
Minha cegueira, em seus olhos
minha voz entre seus lábios,
e minha dor em seus modos.
Minha forma no seu plinto,
livre de assuntos humanos.
De longe. Sorrindo.
Cecília Meireles
in Mar Absoluto


flowering roses_Peter Tom-Petersen

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Mário Quintana

Pintura: Peter Tom-Petersen (pintor dinamarquês, 1861-1926)


Queda livre

Sonámbula_ (Maximilian Pirner)

QUEDA LIVRE

Bem que eu queria dormir,
mas isso que não esqueço
me chama a noite inteira,
sem nome e sem piedade.

Se abro os olhos, eu caio
no esquecimento. Se durmo,
apagam-se as esperanças
– e não me sobra mais nada.

Devo largar minhas perdas
que ficaram na soleira
entre o passado e o recomeço ?
Sempre que me levanto
eu perco um novo pedaço:
ouço os cacos rolando
a noite toda na escada.

Lya Luft

Pintura: Maximilian Pirner


Para quê ?

Venus by Man Ray

            Tudo é vaidade neste mundo vão…
            Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada !
            E mal desponta em nós a madrugada,
            Vem logo a noite encher o coração !

            Até o amor nos mente, essa canção
            Que o nosso peito ri à gargalhada,
            Flor que é nascida e logo desfolhada, 
           
Pétalas que se pisam pelo chão !…
          

            Beijos d’amor! Pra quê ?!…
            Tristes vaidades !
            Sonhos que logo são realidades, 
           
Que nos deixam a alma como morta !
           

            Só acredita neles quem é louca !
            Beijos d’amor que vão de boca em boca,
            Como pobres que vão de porta em porta !…

            Florbela Espanca
            Foto: Man Ray


O sono das águas…

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O SONO DAS ÁGUAS

Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme. Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d¿água,
nos grotões fundos.
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folhagem.
E adormece
até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…

(Guimarães Rosa)


Um pouco de poesia…

Puvis-de-Chavannes-Pierre-Meditation

Poema

É sempre nos meus pulos o limite.

É sempre nos meus lábios a estampilha

É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.

Sempre dentro de mim meu inimigo.

E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade

Pintura: Puvis de Chavannes


Moonlight Night -1880- Ivan Kramskoy (russian painter)

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor

– rubra rosa, sem pudor.

Cobicei, cheirei, colhi.

Mas ela despetalou

E outra igual, nunca mais vi.

Já vivi mil aventuras,

Me embriaguei de alegria!

Mas os risos da ventura,

No limiar da loucura,

Se tornaram fantasia…

Já almejei felicidade,

Mãos dadas, fraternidade,

Um ideal sem fronteiras

– utopia! Voou ligeira,

Nas asas da liberdade.

Desejei viver. Demais!

Segurar a juventude,

Prender o tempo na mão,

Plantar o lírio da paz!

Mas nem mesmo isto eu pude:

Tentei, porém nada fiz…

Muito, da vida, eu já quis.

Já quis… mas não quero mais…

Helenita Scherma

Pintura: Ivan Kramskoi


AlfonsoSimonetti_ancor_non_torna

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

Eugénio de Andrade

Pintura: Alfonso Simonetti



Outono chegou…

outono2
Crepúsculo de Outono

O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á que o rio chora a prisão de seu leito…
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.

Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale…o horizonte purpúreo…
Consoladora como um divino perdão.

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.

Manoel Bandeira


autumn foliage-by-Jennie-Augusta-Brownscombewilliam-quiller-orchardson-1832-1910-autumn(1871)

JENNIE AUGUSTA BROWN SCOMBE                                                               WILLIAM QUILLER ORCHARDSON


William Mason Brown - Autumnal Landscape

WILLIAM MASON BROWN


Autumn Sun -  Edward CucuelEmile Auguste Pinchart_autumn fantasy

EDWARD CUCUEL                                                                                                  EMILE AUGUSTE PINCHART


Autumn-benjamin-thomas-kenningtonSophie Anderson - An Autumn Princess

BENJAMIN THOMAS KENNINGTON                                                                                SOPHIE ANDERSON


James_Tissot_-_OctoberSimeonSolomon-Autumn

JAMES JACQUES JOSEPH TISSOT                                                                                     SIMEON SOLOMON


William Mason Brown - Autumn Reflections

WILLIAM MASON BROWN



Mulheres e Flores: Galeria–Galeria 28

Espelho D’alma

Olho–me no espelho.

Sou o que sou?

A imagem que transmito.

Ressoou?

Toda luz e calor que emerge do meu âmago,

sob a teia que me envolve,

é exalada, renovada e fixada ?

A vida é um canto de amor.

Tal música nos embala,

do amanhecer ao por do sol,

eliminando, toda a nossa dor.

Feliz aquele que consegue,

transformar a rotina em ritual.

Compondo todos os seus feitos,

em ritmo espiritual.

Jane Baruki Ferreira


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LADISLAS WLADISLAW VON CZACHÓRSKI


Arranging Pink Roses (1891) by De Scott Evans (1847–1898)Augustus_Jules_Bouvier_Jasmine

SCOTT EVANS                                                             AUGUSTUS JULES BOUVIER


the flower girl-Edward Charles Barnes (British, 1832-1893)Le Bouquet Des Fleurs -1886 - by Louis Justin Maurice Perrey

EDWARD CHARLES BARNES                                                                           LOUIS JUSTIN MAURICE PERREY


Achille Beltrame (1871-1945) Lady with lilies

ACHILLE BELTRAME


GEORGE SLOANE-The Story of the Rose - 1902

GEORGE SLOANE


Elegant_lady_with_a_bouquet_of_roses - Emile Vernon (french, 1872-1919)Vernon_Emile_The_Three_Graces

EMILE VERNON


the maidens of spring-Hans Zatzka (austrian,1859-1945)2.the maidens of spring-Hans Zatzka (austrian,1859-1945)

HANS ZATZKA


Harlamoff_Alexej_Alexejewitsch_Girl_With_Spring_Flowers_Oil_On_Canvas-largeAlexei Harlamoff - The Absent Lover

ALEXEI HARLAMOFF



Pintura: Por isso é que eu canto…–Galeria 7

“Quem ouve música, sente sua solidão povoada de repente.”

Robert Browning (1812-1889)

a musical interlude-Juan Gimenez Martin

JUAN GIMENEZ MARTIN


Company on the Terrace - Jacob Schikaneder-1887

JACOB SCHIKANEDER


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EUGENIO ZAMPIGHI


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ANTONIO PAOLETTI


Andreotti_Federigo_The_SerenadeAndreotti_Federico_Flowers_for_Music

FEDERICO ANDREOTTI


Anselm Feuerbach - Ricordo di Tivoli

ANSELM FEUERBACH


Cesare Auguste Detti (1847-1914) - The singing lessonMrs. George Batten singing, 1895-JOHN_SINGER_SARGENT

CESARE AUGUSTE DETTI                                                                                                 JOHN SINGER SARGENT


Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo.

Cecília Meireles



O teu nome…

Flor de acaso ou ave deslubrante,
Palavra tremendo nas redes da poesia,
O teu nome, como o destino, chega,
O teu nome, meu amor, o teu nome nascendo
De todas as cores do dia!

Alexandre O’Neill

the initials_ Sophie Gengembre Anderson

SOPHIE ANDERSON


gunnar-berndtson-23

PIERRE-MARIE BEYLE                                                                             GUNNAR BERNDTSON


something in the air-Hugo Salmson

HUGO SALMSON



Uma certa melancolia… – 4

PhilipPerold

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mario Quintana

Foto: Philip Perold 


Distant Thoughts (1886) by Thomas Francis Dicksee (1819-1895)

THOMAS FRANCIS DICKSEE


Alfred Fowler Patten (British, 1826 - c.1888)-The child and the star-1882OrestKiprensky2

ALFRED FOWLER PATTEN                                                                                     OREST KIPRENSKY


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ALFRED STEVENS


Mignon-1869Lenoir,_Charles-Amable_-_Pensive

WILLIAM-ADOLPHE BOUGUEREAU                                                                            CHARLES-AMABLE LENOIR


A Quiet Moment_DelphinEnjolrasamarilla-frederic-leighton

DELPHIN ENJOLRAS                                                                                          LORD FREDERICK LEIGHTON



*

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A pedra, o vento, a luz alteada,
o salso mar eterno, o grito
do mergulhão, sob o infinito azul:
— Deus não me deve nada.


Hélio Pellegrino (1924/1988)


Se…

rafa-vives-

se
nem
for
terra
se
trans
for
mar

Paulo Leminski


Pintura: Retratos de mulher–Galeria 25

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"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé…
Sou forte,
fraca,
generosa,
egoísta,
angustiada,
perigosa,
infantil,
astuta,
aflita,
serena,
indecorosa,
inconstante,
persistente,
sensata e corajosa,
como é toda mulher,
poderia ter respondido,
mas não lhe dei essa colher.

Martha Medeiros

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ANTHONY FREDERICK SANDS                                                                      LADISLAS WLADISLAW VON CZACHÓRSKI


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DELPHIN ENJOLRAS                                                                         GEORGE DUNLOP LESLIE


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JOHN WILLIAM GODWARD                                                                                CHARLES EDWARD PERUGINI


Portrait of an Elegant Lady, Gustave Jean Jacquet. French, (1846-1909)Bernardino Luini (c1480-1532), Head and shoulders of a young woman

GUSTAVE JEAN JACQUET                                                                               BERNARDINO LUINI


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EUGENE DE BLAAS                                                                                   CONSTANTIN MAKOVSKY


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EMILE VERNON                                                                                                FRANÇOIS MARTIN-KAVEL


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WILLIAM CLARKE WONTNER



Tristeza, alegria…

Wladyslaw Teodor Benda (1873-1948)

Se sou alegre ou sou triste?…
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…

 
Fernando Pessoa


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FRANÇOIS MARTIN-KAVEL                                                                                       EMILE VERNON


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CONSTANCE MARIE CHARPENTIER


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TITO CONTI


Edward Robert Hughes (185 -1914)-Idle Tears12.abbey-altson

EDWARD ROBERT HUGHES                                                                                             ABBEY ALTSON


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THOMAS FRANCIS DICKSEE                                                                             MADELEINE LEMAIRE


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FRANCESCO HAYEZ                                                                                                ALFRED STEVENS


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EMILE EISMAN SEMENOWSKY                                                                                  GUSTAVE JEAN JACQUET


Friedrich von Amerling - Retrato de Eliza Kryutsberger. 1837Lycina-Godward

FRIEDRICH VON AMERLING                                                                                      JOHN WILLIAM GODWARD



A alma…

Evening at the Lake - Robert Zund (swiss-painter-19sec)

A alma é um cenário.
Por vezes, ela é como uma manhã
brilhante e fresca, inundada de alegria.
Por vezes ela é como um pôr do sol…
triste e nostálgico.

Rubem Alves

Pintura: Robert Zund


Amar é uma arte !–Galeria 22

DOSIMETRIA DO AMOR:

…”Que não seja imortal, posto que é chama

mas que seja infinito enquanto dure.”

Vinícius de Morais


Marcus_Stone_R_A_A_Honeymoon

MARCUS STONE


The Kiss - Arcangelo Salvarani -1918

ARCANGELO SALVARANI


frederick-arthur-bridgman-queen-of-the-brigands

FREDERICK ARTHUR BRIDGMAN


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DANIEL HERNANDEZ                                                                                         FEDERICO ANDREOTTI


Jules Salles-Wagner (1814 - 1898) - Romeo and Juliet

JULES SALLES-WAGNER


peaceful life´s-Ludwig Knaus

LUDWIG KNAUS


Leighton_EB_End_of_Song

EDMUND BLAIR-LEIGHTON


SONETO DA FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Vesti azul–Galeria 6

Soneto do desmantelo azul

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

Carlos Pena Filho (1929-1960)

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PIERRE AUGUSTE RENOIR                                                                                        FREDERICK GOODALL


Woman in a blue wrap-William McGregor Paxton55Gaetano Bellei

WILLIAM MCGREGOR PAXTON                                                                            GAETANO BELLEI


portrait of Natalya Pavlovna Panina by Pimen Nikitich Orlov, 1840’s RussiaPaolo Ghiglia-signora-in-blu-1942

PIMEN N. ORLOV                                                                                PAOLO GHIGLIA


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FERNAND TOUSSAINT                                                                                     ALEXANDRE CABANEL


jeune fille en robe blueu-jacquetEdward-Samuel-Harper-Great expectations

GUSTAVE JEAN JACQUET                                                                                 EDWARD SAMUEL HARPER


1c William Clarke Wonter (British painter, 1857-1930) Classical BeautyPortrait of Aline Mason in Blue by Raimundo Madrazo

WILLIAM CKARKE WONTNER                                                                          RAIMUNDO DE MADRAZO Y GARRETA



Então serás eterno…

Alexander_Matev

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles

Foto: Alexander Matev


Poesia: Carlos Drummond de Andrade

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ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fudamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.


OlegKlochkov

SONETO DA PERDIDA ESPERANÇA

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.


photo09

POEMA

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.


roses--

ROSA ROSAE
Rosa
e todas as rimas
Rosa
e os perfumes todos
Rosa
no florindo espelho
Rosa
na brancura branca
Rosa
no carmim da hora
Rosa
no brinco e pulseira
Rosa
no deslumbramento
Rosa
no distanciamento
Rosa
no que não foi escrito
Rosa
no que deixou de ser dito
Rosa
pétala a pétala
despetalirosada


luiza-gelts

MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.


528402

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Poeta, contista e cronista brasileiro

(Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)


Eu sou um (a) pintor (a) !–Galeria 14

pintor

E à Arte o Mundo Cria

Seguro Assento na coluna firme
Dos versos em que fico,
Nem temo o influxo inúmero futuro
Dos tempos e do olvido;
Que a mente, quando, fixa, em si contempla
Os reflexos do mundo,
Deles se plasma torna, e à arte o mundo
Cria, que não a mente.
Assim na placa o externo instante grava
Seu ser, durando nela.

Ricardo Reis
Heterônimo de Fernando Pessoa

auguste-raynaud-french-1845-1877-The Young Model's Moment

AUGUSTE RAYNAUD


Young woman at his easel, Etienne Francois Eugene LecoindreSelf-Portrait as the Allegory of Painting (1630s). Artemisia Gentileschi (Baroque, 1593_1652-53)

ETIENNE FRANÇOIS EUGENE LECOINNDRE                                                                            ARTEMISIA GENTILESCHI


The Interior of an Atelier of a Woman Painter (1796). Marie-Victoire Lemoine (French, 1754–1820)j-c-waite

MARIE VICTOIRE LEMOINE                                                                             J. C. WAITE


Henri_Fantin-Latour_-_A_Lição_de_Desenho_ou_Retratos,_1879

HENRI FANTIN-LATOUR


the-artist´s-model-by-Karl Josef Litschauer

KARL JOSEPH LITSCHAUER


Paoletti_Antonio_The_Three_Graces

ANTONIO PAOLETTI


Scholten, Hendrik Jacobus (1824-1907) - Painters in atelier, 1854

HENDRIK JACOBUS SCHOLTEN



Retratos de Mulher–24: Gravuras, litografias, pintura em porcelana (KPM)

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"Quem você pensa que é?"
perguntou pra mim de queixo em pé…
Sou forte,
fraca,
generosa,
egoísta,
angustiada,
perigosa,
infantil,
astuta,
aflita,
serena,
indecorosa,
inconstante,
persistente,
sensata e corajosa,
como é toda mulher,
poderia ter respondido,
mas não lhe dei essa colher.

Martha Medeiros


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MARCUS STONE                                                                                       M. MARCO


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NATHANIEL SICHEL


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CONRAD KIESEL                                                                                EMILE VERNON


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ALFRED SCHWARZ                                                                               FAUSTIN BESSON


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FRANZ ROBERT RICHARD BRENDAMOUR                                                                             JOHN PHILLIP


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Placas de porcelana pintada (KPM – Berlim)