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Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

Posts com tag “Vinícius de Morais

Amar é uma arte !–Galeria 22

DOSIMETRIA DO AMOR:

…”Que não seja imortal, posto que é chama

mas que seja infinito enquanto dure.”

Vinícius de Morais


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MARCUS STONE


The Kiss - Arcangelo Salvarani -1918

ARCANGELO SALVARANI


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FREDERICK ARTHUR BRIDGMAN


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DANIEL HERNANDEZ                                                                                         FEDERICO ANDREOTTI


Jules Salles-Wagner (1814 - 1898) - Romeo and Juliet

JULES SALLES-WAGNER


peaceful life´s-Ludwig Knaus

LUDWIG KNAUS


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EDMUND BLAIR-LEIGHTON


SONETO DA FIDELIDADE

Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


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Pintura: Amar é uma arte! – 19

Soneto de inspiração

Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.

Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.

Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar – soubesse eu ver

Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.

Vinícius de Morais


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AUGUSTIN SALINA Y TERUEL


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PÁL SZINYEI MERSE


AlbertEdelfelt

ALBERT EDELFELT


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EVARISTE CARPENTIER


11.Hermann Seeger (1857-1945)

HERMANN SEEGER


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AUGUSTE SERRURE



Poesia: Soneto da separação

1915

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Morais



Amar é uma arte !–Galeria 13

SONETO DE INSPIRAÇÃO

Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.

Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.

Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar – soubesse eu ver

Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.

Vinícius de Morais


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JOSEPH CARAUD


Federico-Andreotti_Indiscretion

FEDERICO ANDREOTTI


robert-payton-reidPancraz Koerle (1823-1875) - Flirtation

ROBERT PAYTON REID                                                                                  PANCRAZ KOERLE


italo-nunes-vaiscarl-johann-spielter

ÍTALO NUNES-VAIS                                                                               CARL JOHANN SPIELTER


GiacomoFavretto-Idilliogiacomo-favretto_unadichiarazione

GIACOMO FAVRETTO


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JULES GIRARDET


Soulacroix_Frederic_La_Proposition

FRÉDÉRIC SOULACROIX



Temas da Pintura: Amizade – 10

POEMA DO AMIGO

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Vinicius de Moraes


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GEORGE DUNLOP LESLIE


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JOHN WILLIAM WATERHOUSE


Charles MacIver Grierson

CHARLES MCIVER GRIESON


Filadelfo Simi - Un attimo di riposo

FILADELFO SIMI


edward-antoon-portielje-04

EDWARD ANTOON PORTIELJE


WencelasVacslavBroczick

WENCESLAS VACSLAV BROCZICK


ElegantLadiesGatheringRosesbyLuigiMaggiorani

LUIGI MAGGIORANI


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JERRY BARRETT                                                                                  JOSEF SCHEURENBERG


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EDGAR BUNDY


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WENCESLAS VACSLAV  BROCZIK


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J.W. HOHENBERG


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LORENZO VALLES


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WALTER DENDY SADLER


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EUGENE DE BLAAS



Ternura

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Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma…
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

Pintura: William Dyce


Vens de longe…

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Tu vens de longe; a pedra
Suavizou seu tempo
Para entalhar-te o rosto
Ensimesmado e lento

Teu rosto como um templo
Voltado para o oriente
Remoto como o nunca
Eterno como o sempre

E que subitamente
Se aclara e movimenta
Como se a chuva e o vento

Cedessem seu momento
À pura claridade
Do sol do amor intenso!

Vinícius de Morais


Soneto

Bordone, Paris - The Venetian Lovers, 1525

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranqüilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

Vinicius de Moraes

Pintura de Paris Bordone