Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

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Poesia: Soneto a quatro mãos

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Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos

Pintura: A musa – Gabriel de Cool (França, 1854-1908)


“Que seja infinito enquanto dure”…

Edmund Blair Leighton - Signing the Register

EDMUND BLAIR LEIGHTON


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LEOPOLD LOFFLER-RADYMO                                                                      PHILLIP RICHARD MORRIS


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SERGEI IVANOVICH GRIBKOV                                                                              AUGUSTE TOULMOUCHE


ADOLPHE WEISZ (1838 - AFTER 1900) - HER WEDDING DAYСarl Herpfer (1836-1897) Dressing of bride

ADOLPHE-WEISZ                                                                                        CARL HERPFER


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JOHN GEORGE BROWN                                                                                                 HENRIK OLRIK


Thomas Martine Ronaldson - the bride 1929Portrait of a Bride - Laurits Tuxen (danish painter)

THOMAS MARTINE RONALDSON                                                                                         LAURITS TUXEN


Abraham Solomon (1824-1862) - The bridethe-eve-of-the-wedding-1852-Jerry_Barrett

ABRAHAM SOLOMON                                                                                              JERRY BARRETT


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SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes



Soneto a quatro mãos

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Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos

Pintura: Charles Spencelayh (Inglaterra, 1865 – 1958)