Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

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E por vezes…

Knud Andreassen Baade  Kystlandskap i måneskinn, 1851

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

Pintura: Knud Andreassen Baade (Noruega, 1808-1879)


Só, só, somente só… Galeria 3

LouisEdouardNarty-ladieu_au_village

LOUIS EDOUARD NARTY


1879, Young Woman in the Woods-Edwin Austin Abbey

EDWIN ABBEY AUSTIN


cspencelayh (2)

CHARLES SPENCELAYH


Steele_Theodore_Clement_Daisy_by_the_River

THEODORE CLEMENT STEELE


Maid seated by a tree before a river_George Goodwin KilburneAlfred_Seifert_Daydreaming_750x1024

GEORGE GOODWIN KILBURNE                                                                              ALFRED SEIFERT


Rudolf Epp (Eberbach 1834–1910 Munich) Thoughtful Girl,_738x1024johann-georg-meyer-1813-1880-sitting-girl

RUDOLF EPP                                                                                      JOHANN GEORG MEYER VON BREMEN


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira



Natal à beira rio…

paysage-

É o braço do abeto a bater na vidraça?

E o ponteiro pequeno a caminho da meta!

Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,

A trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.

Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!

E o Menino nascia a bordo de um navio

Que ficava, no cais, à noite iluminado…

Ó noite de Natal, que travo a maresia!

Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.

E quanto mais na terra a terra me envolvia

E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me

À beira desse cais onde Jesus nascia…

Serei dos que afinal, errando em terra firme,

Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia ?

David Mourão-Ferreira

(Lisboa, 1927 – 1996)


E por vezes…

outono2

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira


E por vezes…

garotalua

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira