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Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

Posts com tag “Alfonsina Storni

É primavera ! – Galeria Mulheres e Flores – 24

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VIDA

Meus nervos estão loucos, e nas veias
O sangue ferve, líquido de fogo
Salta a meus lábios, donde finge logo
A alegria popular das ceias.

Eu tenho desejos de rir; e as penas
Que à vontade domesticar não rogo
Comigo elas não jogam, e eu jogo
Com a tristeza azul de que estão plenas.

O mundo pulsa; toda sua harmonia
Sinto-a tão vibrante que a magia
remete ao bom vinho e à quimera.

É que abri a janela há um momento
E nas asas finíssimas do vento
Trouxe-me o seu sol a Primavera!

Alfonsina Storni
Tradução de Cristiane Carvalho e Manolo Graña


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AUGUSTE TOULMOUCHE


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GEORGE DUNLOP LESLIE


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EMILE VERNON                                                                                          CHARLES COURTNEY CURRAN


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WILLIAM AFFLECK                                                                                     CHARLES EDWARD WILSON


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EDWARD CUCUEL


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ALFRED GUILLOU                                                                                           ANDREA COFFA


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EMILE EISMAN SEMENOWSKY


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Mulheres e flores – 21

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SOU ESSA FLOR

Tua vida é um grande rio, vai caudalosamente,
a sua beira, invisível, eu broto docemente.
Sou essa flor perdida entre juncos e achiras
que piedoso alimentas, mas acaso nem olhas.

Quando cresces me levas e morro em teu seio,
quando secas morro pouco a pouco no lodo;
Mas de novo volto a brotar docemente
quando nos dias belos vais caudalosamente.

Sou essa flor perdida que brota nas tuas margens
humilde e silenciosa todas as primaveras.

(Alfonsina Storni – Tradução de Héctor Zanetti)

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ELIHU VEDDER                                                                                      WILLIAM COOPER


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CHARLES EDWARD PERUGINI


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WILLIAM ARTHUR BREAKSPEARE


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CONRAD KIESEL                                                                                           SAMUEL McCLOY


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JOHANN HAMZA


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GEORGE GOODWIN KILBURNE


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LASZLO PATAKY VON SOSPATAK



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Sábado foi e caprichoso o beijo dado,
Capricho de varão, audaz e fino
Mas foi doce o capricho masculino
A este meu coração, lobinho alado.
Não é que creia, não creio, se inclinado
sobre minhas mãos te senti divino
E me embriaguei, compreendo que este vinho
Não é para mim, mas jogo e roda o dado…
Eu sou a mulher que vive alerta,
Tu o tremendo varão que se desperta
E é uma torrente que se desvanece no rio
E mais se encrespa enquanto corre e poda.
Ah, resisto, mas me tens toda,
tu, que nunca serás de todo meu.

Alfonsina Storni

Pintura: Francesco Hayez


Sou essa flor…

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Tua vida é um grande rio, vai caudalosamente,
a sua beira, invisível, eu broto docemente.
Sou essa flor perdida entre juncos e achiras
que piedoso alimentas, mas acaso nem olhas.

Quando cresces me levas e morro em teu seio,
quando secas morro pouco a pouco no lodo;
Mas de novo volto a brotar docemente
quando nos dias belos vais caudalosamente.

Sou essa flor perdida que brota nas tuas margens
humilde e silenciosa todas as primaveras.

(Alfonsina Storni – Tradução de Héctor Zanetti)