Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

card-antiq (2)

Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um voo de ave
E me entristeço!

Por que é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Por que vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Por que ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade

Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh’alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro em meu ser.

Fernando Pessoa

2 Respostas

  1. Dandara Machado

    Belíssimo. Traduz bem os meus sentimentos e, acredito, o de muitas pessoas.

    Curtido por 1 pessoa

    10/02/2018 às 18:47

  2. Republicou isso em erhanca.

    Curtir

    11/02/2018 às 4:22

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