Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

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Immortality (1889)- Henri Jean Théodore Fantin- Latour

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Um dia terei a morte aparente que têm todos os seres e todas as coisas.
A minha alma irá para Deus.
Meu coração, separado da sua amiga, irá para o seio da terra,
Para onde vão os corações que as almas deixaram.
Não haverá tristeza na separação…não é triste cumprir-se destino…
Mas um  dia Deus reparará que no mundo, entre as alegrias profundas,
está faltando aquela suave alegria da minha alma e do meu coração.
E mandará minha alma à terra para junto do meu coração.
Meu coração sentirá uma planta qualquer
Sugar o seu húmus, lançar pela terra raízes tenazes…
Contente dará vida a essa planta, porque é destino dos corações
Darem vida às plantas, ao desfazerem-se em adubo da terra.
E perceberá feliz que a minha alma estará florindo na haste da planta,
Tornada em flor extremamente simpática.
A minha alma, abrindo a corola a todo o sol, a todo vento, a todo
dia, e a toda noite, dirá baixinho:
"Coração, como é linda a vida! Como é lindo este Universo de Deus!"
E meu coração, como fazia em meu peito,
Responderá saltando contente no peito da terra…
(Rodrigues de Abreu – 1897-1927)

Pintura: “Imortalidade” – Henry Jean Théodore Fantin-Latour (França, 1836-1904)

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