Revista Virtual de Artes, com ênfase na pintura do século XIX

THEÒPHILE GAUTIER

Pierre Jules Théophile Gautier

(31 de agosto de 1811, Tarbes, França – 23 de outubro de 1872, Paris, França)

Ainda jovem, mudou-se para Paris. Seu desejo inicial era dedicar-se à pintura mas, influenciado por Vitor Hugo, passou a interessar-se pela literatura (especialmente a poesia romântica). Vestindo sempre um colete vermelho e calças verdes, tornou-se personagem conhecida antes mesmo de alcançar a fama como escritor.
Em 1830 publicou suas primeiras "Poesias", nas quais demonstra habilidade na descrição precisa e colorida de objetos e paisagens.No prefácio de Mademoiselle de Maupin, de 1835, Gautier afirma sua posição estética, seu culto da arte pela arte, seu desdém pela moral, sustentando a tese de que a arte e a moral nada têm em comum.
Aos poucos, afasta-se de seus amigos românticos. Nessa épopca, por necessidades econômicas, teve de sujeitar-se ao trabalho de crítico dramático, literário e artístico do La Presse e depois do Monitor.
Ao contrário de outros românticos, Gautier não se manifestou ativamente em política. Sua obra compreende coletâneas de poesias, entre as quais: Émaux et Camées, de 1852, obra que teve grande influência sobre Baudelaire, Banville e outros poetas parnasianos; romances como O romance da múmia, de 1858 e Capitão Fracasso, de 1863; diários de viagem e o poema L´Art, uma das obras mais importantes e características de Gautier, onde ele proclama o valor absoluto da profissão de artista, a necessidade – para o poeta – de aceitar as dificuldades da técnica, sugerindo a idéia do jogo sutil das imagens e a utilização delicada dos recursos de linguagem.(fonte: enciclopediatiosam)

BIOGRAFIA E OBRAS VIRTUAIS – E-BOOKS


"Em todos os tempos, os prudentes sempre venceram os audazes".
 
"Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro".

"Nas cinzas de uma correspondência de amor destruída há sempre pedacinhos de duas almas."

"Os que pretendem reformar o mundo se esquecem da dificuldade que há em retocar com acerto um quadro antigo."

"Para uns a posteridade é o fim; para outros é a aurora."


A ARTE

Sim, a obra sai mais bela de uma forma rebelde ao lavor: verso,
mármore, ônix, esmalte.
Nada de apertos forçados! Mas se queres marchar ereta, calça,
Musa, um coturno estreito.
Abaixo o ritmo cômodo, calçado frouxo onde qualquer pé entra e sai!
Repele, escultor, a argila que o polegar amassa – enquanto o
espírito paira ao longe;
Luta com o carrara, com o paros duro e raro, guardiães do puro
contorno;
Usa de Siracusa o bronze onde se mostra firme o traço altivo, o
traço encantador;
Com mão delicada pesquisa o perfil de Apolo num filão de ágata.
Pintor, evita a aquarela, fixa a cor demasiado frágil no forno do
esmaltador.
Pinta de azul as sereias, retorce de mil maneiras as caudas desses monstros de brasão;
Com sua auréola trilobada pinta a Virgem e seu Jesus, a cruz
encimando o globo.
Tudo passa. – Só a arte vigorosa é eterna. O busto sobrevive à
cidade.
E a medalha austera, que o lavrador encontra sob a terra, revela um imperador.
Os próprios deuses morrem. Mas os versos soberanos
permanecem, mais poderosos que os bronzes.
Esculpe, alisa, cinzela; fixa no bloco resistente teu sonho
fugitivo!


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